segunda-feira, junho 3

Nova presidente da UNE diz que instituição terá autonomia em relação a partidos

Nova diretoria foi eleita no 53° Congresso da União Nacional dos Estudantes
Vic Barros é formada em direito pela Universidade Federal de 
Pernambuco (Divulgação/UNE)
Vic Barros é formada em direito pela Universidade Federal de Pernambuco

Brasília – Eleita para presidir a União Nacional dos Estudantes (UNE) pelos próximos dois anos, a estudante de letras da Universidade de São Paulo (USP) Virgínia Barros disse que sua gestão será marcada pela autonomia em relação a governos, partidos políticos e universidades sem, no entanto, fechar o diálogo com esses setores.

"A UNE tem uma postura de autonomia, diálogo, pressão e cobrança em relação aos governos federal, estaduais, reitorias, empresas, partidos e manterá essa postura, mas claro que estamos abertos ao diálogo porque foram muitas as conquistas que conseguimos obter na educação brasileira nos últimos anos", disse. A presidente e a nova diretoria foram eleitas no 53° Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) que terminou nesse domingo (2), em Goiânia (GO).
Entre as prioridades apontadas pela presidente da UNE para os próximos dois anos está a defesa do investimento de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em educação, em discussão no Congresso Nacional. Para ampliar a mobilização em torno do tema, a UNE convocou a Jornada Nacional de Lutas que deverá ser marcada por passeatas e manifestações até agosto.

Virgínia disse que a UNE é contrária à entrada de capital estrangeiro para aquisição de instituições de ensino superior. Ela avalia que essa situação resulta na precarização da infraestrutura das instituições e da qualidade do ensino. "Do nosso ponto de vista, para maximizar os lucros, as empresas estrangeiras que compram as instituições de educação baixam a qualidade e, por uma questão de soberania, não podemos ter nossa educação dominada por interesses estrangeiros", pontua.

Natural de Garanhuns (PE), Vic, como é chamada a nova presidente, tem 27 anos e é formada em direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Ela diz conhecer a realidade da educação no Nordeste e defende o equilíbrio dos investimentos entre as regiões do país para combater as desigualdades.

"Combater as desigualdades regionais do nosso país passa por equilibrar o investimento em educação em todas as regiões. Não é à toa que o Norte e o Nordeste têm o pior Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica] do país. Não é à toa que o acesso à universidade nessas regiões é mais restrito à juventude de 18 a 24 anos. Discutir o desequilíbrio na distribuição de recursos para a educação no nosso país é uma demanda que se faz necessária para garantir uma educação de qualidade para todos", diz Virgínia.


Fonte: Agencia Brasil

Ação em rede social não basta para mobilizar as pessoas, diz sociólogo

O franquismo dominava a cena espanhola quando um estudante de 18 anos decidiu entrar nos cinemas de Barcelona para alterar seu enredo.

Escolheu salas na periferia, aproveitou a escuridão para deixar folhetos de protesto nas cadeiras e terminou a noite com uma sensação: "As palavras que eu havia transmitido poderiam mudar algumas mentes que acabariam por mudar o mundo".

O objetivo principal não foi alcançado, e a ditadura espanhola perdurou até os anos 1970. Décadas mais tarde, ao descrever seu ato, Manuel Castells concluiu que ignorava coisas importantes da comunicação. "Não sabia que a mensagem só é eficaz se o destinatário estiver disposto a recebê-la e se for possível identificar o mensageiro e ele for de confiança", escreveu.

O jovem revolucionário acabou exilado em Paris, onde deu início a uma trajetória que fez dele um dos mais destacados sociólogos do mundo. Famoso por estudar sobre poder das redes e o impacto social da informação, Castells diz, em entrevista por e-mail, que o Facebook sozinho não é capaz de mudar a história.

O sociólogo espanhol Manuel Castells

Folha - Os jovens espanhóis que saíram várias vezes às ruas e acamparam em lugares como a praça Catalunya [na região central de Barcelona] continuam sem emprego, e a coisa piorou desde então. O movimento fracassou?
Manuel Castells - É a única esperança que sobra em um país com 27% de desemprego, 53% de desemprego juvenil e com apenas 26% dos cidadãos neste momento apoiando um dos dois grandes partidos.
Hoje, 70% da população concorda com o movimento, porém não existe, por ora, uma expressão política institucional dessa crítica frontal a todo o sistema. Mas a mudança já aconteceu na cabeça das pessoas. E isso é o essencial na mudança social.

O sr. diz que esses novos movimentos, nascidos na internet, estão recriando a democracia. Mas no Brasil não é incomum que protestos organizados por dezenas de milhares no Facebook não cheguem a reunir centenas de pessoas na rua. Esses movimentos têm mesmo toda essa capacidade?
Isso depende das condições de cada país. Na Espanha, chegaram a ser centenas de milhares. Nos Estados Unidos, aconteceram ocupações urbanas em mil cidades. Na Itália, saiu daí o movimento Cinco Estrelas, o partido mais votado [nas eleições parlamentares deste ano]. No Chile, os estudantes mudaram o panorama político do país.
Mas é claro que não basta um manifesto no Facebook para mobilizar milhares de pessoas. Isso depende do nível de descontentamento popular e da capacidade de mobilização de imagens e palavras. A internet é uma condição necessária mas não suficiente para que existam movimentos sociais.

Se o que aconteceu na Itália com Beppe Grillo [líder do Cinco Estrelas] pode ser considerado um desses movimentos, pergunto: para que ele serviu então?[Embora fosse o partido mais votado, recusou-se a negociar e acabou ficando fora do novo governo.]
O Cinco Estrelas se situa entre o movimento e a política, mas surge de um clamor, que existe na sociedade italiana, por uma verdadeira democracia. O que aconteceu é que seu êxito bloqueou um sistema corrupto a serviço de uma classe política que na Itália se chama "A Casta".
E o Partido Democrático, em vez de desmentir as suspeitas e mudar suas práticas, faz um governo de aliança com [Silvio] Berlusconi, depois de fazer uma campanha para acabar com ele.
É provável que o Partido Democrático se fracione e que aconteça uma recomposição do sistema político. O Cinco Estrelas não é um partido do governo, mas é uma força que faz o sistema se regenerar.

Como o sr. vê a evolução da crise de representação dos Parlamentos, e que papel a imprensa tem nisso?
Todos os dados mundiais, exceto os da Escandinávia, mostram o desprestígio total dos políticos, partidos e parlamentos. Se os cidadãos pudessem, mandariam todos embora, mas o sistema bloqueou as saídas.
A imprensa costuma estar mediada pelos empresários e por suas alianças políticas. Felizmente, a liberdade de comunicação tem dois aliados fundamentais: o profissionalismo dos jornalistas e a rede.

Marina Silva propõe a criação de um novo partido político, que tem o nome simbólico de Rede. É possível para um político que esteve nos partidos tradicionais reinventar-se nesses novos movimentos?
Em geral, eu diria que não. Mas, conhecendo Marina Silva, se alguém tem a possibilidade de fazer isso, seria ela. Terá, entretanto, de enfrentar todo o sistema, porque um ponto sob o qual todos os partidos estão de acordo é manter o monopólio conjunto do poder.

Os chineses aprenderam a controlar a rede? Seu firewall [muro de censura na rede] já é reconhecido como um exemplo de sucesso tecnológico, como disse a revista "The Economist".
Não. Como dizem meus amigos hackers chineses, a Grande Barreira é um tigre de papel. O controle se faz com robôs que utilizam palavras-chave, como Tiananmen [o nome local para a Praça da Paz Celestial], basta não usar essas palavras.
Mesmo que tenham introduzido novas medidas tecnológicas, não há como controlar os milhões de blogs individuais, que são onde se gera o debate social ""não na página da "Economist" na web.

O que será do Facebook em cinco anos? Se o Facebook quer ser o "melhor jornal personalizado do mundo", como disse Mark Zuckerberg, como ficará sua relação com os meios tradicionais?
Nunca faço previsões. Mas o Facebook tem sucesso porque é personalizado. Qualquer tentativa de utilizar as pessoas em vez de ser utilizado por elas levará a uma competição com centenas de outros, como aquela em que o Facebook liquidou o MySpace. Quem não tem boa perspectiva são os meios de comunicação tradicionais, a menos que se reconvertam no modelo de "jornalismo em rede" que tenho analisado recentemente.

Aos poucos se está mudando o consumo de informação na rede para um modelo em que nem tudo o que está nela é gratuito. Como vê o futuro do jornalismo nesse sentido?
É um grave erro cobrar por informação na rede, a menos que a informação seja profissionalmente relevante, como no caso do [jornal americano de economia] "Wall Street Journal". Com as alternativas que existem na rede, o que acontece é que simplesmente se desvia o fluxo de leitores para outros canais informativos e de debate.

Há 14 anos, o sr. esteve no programa "Roda Viva", da TV Cultura, e disse que São Paulo tinha uma terrível gestão urbana, comparando-a à de Barcelona. Por que as metrópoles brasileiras não conseguem dar o passo que deu Barcelona, mesmo numa transformação tão grande como a de agora para o Mundial?
Barcelona tem muito mais problemas atualmente, mas, ainda assim, é uma das melhores cidades do mundo, e a qualidade da administração municipal é um fator importante para esse resultado.

As metrópoles brasileiras têm muito mais dificuldades objetivas, por seus níveis de pobreza, de violência e da força dos interesses especulativos no solo urbano e nas infraestruturas de transporte e de serviços.

Se houvesse um pacto entre partidos e instituições para deixar de lado diferenças partidárias e fazer um projeto de gestão urbana, estou seguro de que seria tecnicamente possível. Hoje, existem recursos e capacidade profissional no Brasil para melhorar a gestão urbana. É preciso vontade política e sentido de serviço ao cidadão.

Jornal Folha de São Paulo

Atlético-MG atinge recorde de 50 partidas sem perder em casa

Ao sair sem derrota do Independência, neste domingo, Galo superou marca que pertencia ao Goiás com Serra Dourada

         Com empate deste domingo com o São Paulo, no Independência, Atlético somou 50 jogos seguidos sem derrota como mandante, novo recorde nacional
o somou 50 jogos seguidos sem derrota como mandante, novo recorde nacional / Crédito:Pedro Com empate deste domingo com o São Paulo, no Independência, Atlétic Vilela / AGIF

O empate deste domingo com o São Paulo, no Independência, valeu ao Atlético-MG o recorde nacional de partidas sem derrota como mandante. São 50 jogos seguidos sem perder, superando marca do Goiás no Serra Dourada.

A série começou em 3 setembro de 2011, na vitória por 2 x 0 sobre o Avaí, pelo Campeonato Brasileiro, na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas. Depois, houve mais 39 triunfos e dez empates, em jogos de Copa Libertadores, Brasileiro, Copa do Brasil e Campeonato Mineiro.

O feito foi exaltado por Cuca, que está à frente da equipe desde agosto de 2011. "É um recorde nacional, não é à toa", disse o treinador, ao admitir que, neste momento, o Atlético está desgastado pela sequência de compromissos.

Apesar do lado positivo, o resultado deste domingo também teve lados negativos. Foi o quinto empate consecutivo do time na temporada. Mais do que isso: o primeiro por 0 x 0 desde setembro do ano passado, contra o Grêmio.

"Não jogamos contra João ninguém", defendeu-se Cuca. "Jogamos contra equipes iguais à nossa. O Tijuana é bom, o Cruzeiro é igual, o São Paulo é igual. Estamos medindo forças, com o agravante de que nosso pessoal está mais desgastado. Isso faz diferença, queira ou não."

Fonte:Revista Placar

É só fazer embaixadinhas e dar um chutão, diz Neymar sobre a apresentação no Barcelona

Maior finalizador da seleção ontem, Neymar deixou o Rio com um "gostinho amargo" por causa do empate diante dos ingleses. Mesmo assim, o novo camisa dez da seleção não escondia a empolgação com a sua apresentação ao Barcelona, hoje.
Neymar, 21, deixou o Maracanã ontem às pressas com destino ao Aeroporto Internacional Tom Jobim.

"Tô muito feliz. Estou partindo para realizar um sonho. Vai ser muita emoção", afirmou o atacante, pouco antes de entrar em um avião fretado pelo clube catalão. Ele teria como companhia no voo o pai e quatro amigos. A volta ao Brasil ocorrerá na terça.

A diretoria do Barcelona promete uma festa de gala para o atacante. Os dirigentes acreditam que a apresentação de Neymar terá recorde de público. Até agora, Ibrahimovic foi o jogador que atraiu o maior número de torcedores ao Camp Nou --50 mil receberam o sueco em 2009.

"Já peguei uma dicas com o Daniel Alves. Ele me contou que é só fazer umas embaixadas e dar um chutão para o alto. Será bem legal", disse.


Ontem, Neymar foi escalado por Luiz Felipe Scolari como armador, enquanto Hulk e Oscar ficaram isolados nos lados. O resultado foi uma seleção brasileira muito parecida com o Santos de Muricy Ramalho, em que Neymar precisava fazer tudo sozinho.
"Foi uma atuação boa. A torcida nos apoiou, mas queríamos mais. O empate nos deixou com um gostinho amargo", disse Neymar.

No Maracanã, ele foi o maior finalizador (sete vezes), o que mais foi à linha de fundo pela equipe (cinco) e o que mais driblou (quatro).
Em vários momentos, o jogador do Barcelona foi visto no círculo central, buscando bolas que custavam para chegar ao ataque. Usando a camisa 10, Neymar também foi o responsável por bater todas as faltas e escanteios.

"Neymar vai jogar muitas oportunidades como segundo atacante, perto do principal. Ele vai rodar nas costas desse atacante. É isso que ele vai fazer [na Copa das Confederações]", afirmou Felipão, logo após o amistoso, sobre a nova função tática do ex- -santista na seleção.

Jornal Folha de São Paulo

Adolescente estupra criança de cinco anos após jogar videogame

Um adolescente de 16 anos estuprou uma criança de 5 na tarde deste domingo (2), em uma casa no bairro Cabana, região Oeste de Belo Horizonte. A Polícia Militar (PM) informou que o acusado foi apreendido e encaminhado ao Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Autor de Ato Infracional (CIA), onde assumiu o crime e permanece detido.

Conforme relato dos pais da vítima a polícia, o menino estava na casa do suspeito, onde jogavam videogame, quando o adolescente tirou a própria roupa e também da vítima, forçando-o a fazer sexo anal com ele. Após o ato, a criança foi embora e contou para os pais o que havia ocorrido. A PM foi acionada e apreendeu o jovem. O menino foi encaminhado até a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) Oeste, onde passou por exames médicos que constataram a violência sexual. A vítima já retornou para sua casa com os pais. O suspeito disse a polícia que praticou o crime porque "viu na criança a imagem da namorada". Ele está a disposição da Justiça.

Fonte: Jornal Hoje em Dia

domingo, junho 2

Adolescente é apreendido com bananas de dinamite em frente a agência bancária, em BH

Uma denúncia anônima levou a Polícia Militar até um adolescente de 17 anos que estava com duas bananas de dinamite e dois pavios detonadores na avenida Vilarinho, na região de Venda Nova, em Belo Horizonte. O denunciante disse à PM que o menor estava com atitude suspeita em frente a uma agência do Banco do Brasil.
 
Militares do 49º Batalhão conseguiram localizar o jovem e acionaram o Grupo de Ações Táticas Especiais para analisar o material. Foi constatado que se tratava de explosivos, mas que não precisavam ser detonados.
 
Aos policias, o adolescente disse que teria comprado as dinamites e os pavios em Diamantina, região Central de Minas, por R$ 300. Em seguida ele levaria o material para Ribeirão das Neves, na Grande BH, onde iria enterrar e posteriormente vender tudo por $ 1.500 para comprar um revólver.
 
A ocorrência vai ser encerrada no Centro de Apoio ao Adolescente Autor de Ato Infracional (CIA).

 Fonte: Jornal Hoje em Dia

Infratores surpreendem ao defender maioridade penal aos 16 anos

Textos de jovens internos revelam que 28,5% deles são favoráveis à redução da idade penal. A maioria diz ter consciência do delito praticado e cobra emprego e educação de qualidade


Menções à falta de oportunidades foram recorrentes nas redações dos menores privados de liberdade (Emmanuel Pinheiro/Estado de Minas - 14/11/2003 )
Menções à falta de oportunidades foram recorrentes nas redações dos menores privados de liberdade
Brasília – Quase um terço dos adolescentes privados de liberdade por terem cometido ato infracional apoia a redução da maioridade penal. A opinião inesperada sobre o tema, discutido nacionalmente no Brasil, está registrada em 81 redações escritas por jovens internos das três unidades socioeducativas do Distrito Federal. Obtidos e analisados pelo Estado de Minas, os textos redigidos no último mês a pedido do Ministério Público mostram outras surpresas além do posicionamento favorável à diminuição da idade penal – de 18 anos para 16 anos – por uma parte considerável dos menores infratores: 28,5%.


A maioria diz que tem consciência do delito praticado e muitos consideram o período de internação de até três anos curto demais. No entanto, é praticamente unânime, até entre os que apoiam a redução da idade penal, a certeza de que mudanças na lei não terão impacto na violência urbana. As centenas de linhas traçadas pelos adolescentes trazem, com frequência, pedidos de trabalho, educação de qualidade e saúde. Embora quase um terço seja favorável à redução da maioridade penal, a maior parte (46,9%) é contra, e 24,6% não se posicionaram ou não foi possível compreender o que escreveram. 

Para o promotor Renato Varalda, da Promotoria de Justiça de Execuções de Medidas Socioeducativas da Infância e Juventude do DF, as redações mostram que, assim como na sociedade em geral, não há consenso sobre redução de maioridade penal nem mesmo entre os adolescentes infratores – de quem era esperada resistência total à ideia. “Vemos que eles sabem que o ato que praticaram foi errado. Muitos demonstram um conhecimento aprofundado do tema, para se posicionar a favor ou contra, com argumentos semelhantes ao elencados pela população”, comenta.

Com a simplicidade peculiar para a idade, um dos meninos resume bem os dois lados da discussão. Depois de explicar que “o sistema judiciário brasileiro quer mudar as leis para que o adolescente vá direto para o presídio, e não para uma unidade socioeducativa”, ele arremata com uma pergunta e a respectiva resposta. “A sociedade acha isso bom? Algumas (pessoas) sim, algumas não, pra quem tem uma pessoa, um amigo (infrator), é ruim, mas pra quem sofre o delito é bom, porque a pessoa que fez aquilo  vai ficar mais tempo presa.”

Ao final, outro questionamento: “Por que, em vez de reduzir a maioridade penal, o governo não investe em escolas, hospitais e moradias? Porque só os pobres têm que pagar?” Menções à falta de oportunidades são constantes nas redações, além do alerta sobre a o risco da entrada precoce de crianças no crime se a idade penal diminuir. “Na verdade, o governo tinha que oferecer mais estágios para primeiro emprego, mais oficinas e uma boa educação na escola”, diz um texto. Outro pergunta: “Como um (menor) de 12 (anos) pode fazer igual (cometer delito), por que mudar alguma coisa?” E sentencia: “Essa sociedade é hipócrita e fabricadora de bandidos”.

Outra redação desconsidera o argumento, defendendo o efeito preventivo da punição mais rigorosa, semelhante à aplicada aos adultos. “Os menores vão pensar duas vezes antes de cometer algum crime, porque eles vão pensar na dor da saudade, porque eles não vão querer ficar muito tempo presos, porque é ruim ficar longe da família”, diz. 

A relação entre redução de idade penal e diminuição dos índices de violência, entretanto, é refutada em quase todas as redações que abordam os dois fatores. “Não vai adiantar nada” é uma das frases que mais se repetem. Um interno tece uma crítica ácida a modificações na maioridade: “Só serviria para maquiar a incapacidade do Estado de resolver o problema da violência praticada por jovens”.

Fonte: Portal Uai

Desprezado, trecho da BR-381 carrega longa marca de tragédias

Trecho inicial de 125 quilômetros que abriga mais de 300 mil pessoas no Vale do Rio Doce é desprezado pelas iniciativas de duplicação e melhoria


 (Marcos Michelin/EM/D.A Press)

Divino das Laranjeiras e São João do Manteninha – “Se esta estrada é perigosa? Ô, se é. Foi logo ali que um tio meu, o Antônio, morreu atropelado. O Manoel, da barbearia, também perdeu a vida nela. O Raimundo, vaqueiro dos bons, foi mais uma vítima. O advogado Luiz Pacheco, coitado, enterrou dois filhos: o carro em que eles estavam capotou. É uma BR com defeitos no asfalto e curvas fechadas”. Os desastres recordados pelo aposentado Nelson Germano dos Santos, de 65 anos, ocorreram no antigo trecho de 125 quilômetros da BR-381 entre Governador Valadares a Mantena, cidades do Vale do Rio Doce, e que ainda passa pelos pacatos municípios de Divino das Laranjeiras, São João do Manteninha e Central de Minas.

Aproximadamente 310 mil pessoas moram nos cinco municípios. Muitas delas rotulam aquele pedaço de asfalto como “a parte esquecida da 381”, pois é o único trecho mineiro da rodovia federal sem proposta de duplicação. Inaugurada em 1959 pelo então presidente da República Juscelino Kubitscheck (1902–1976), a 381 liga o estado ao Espírito Santo à capital paulista. Em Minas, ela tem 950 quilômetros e pode ser dividida em três partes. A primeira, conhecida como Rodovia Fernão Dias, em homenagem ao bandeirante caçador de esmeraldas, vai do município de Extrema (no Sul de Minas) a Belo Horizonte. Trata-se do traçado duplicado, nas décadas de 1990 e 2000, e concedido à iniciativa privada.

A segunda parte, apelidada de Rodovia da Morte, de BH a Governador Valadares, tem promessa de ser alargada nos próximos anos. Os editais de licitação foram publicados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), em março passado, e as propostas serão entregues pelas construtoras este mês. A previsão para o início e a conclusão das obras depende da elaboração do projeto executivo, o qual deve levar de um a dois anos – há expectativa de que o atual traçado, bastante sinuoso, seja corrigido com cerca de 90 pontes, viadutos e túneis.

Já o terceiro trecho da estrada, de Governador Valadares a Mantena, é o que usuários chamam de “a parte esquecida da 381”. A duplicação dele depende tanto do Dnit quanto do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-MG). A explicação é simples: o asfalto entre Valadares e a ponte sobre o Córrego Santa Helena, no pacato povoado de São Vítor, é de responsabilidade do órgão federal, pois ele é sobreposto a um pedaço da BR-259 – as duas estradas têm um trecho em comum, a exemplo do que ocorre, em parte do Anel Rodoviário de Belo Horizonte, com a 381, a 262 e a 040. 


'É o principal acesso de muita gente ao Norte capixaba e ao Sul baiano. Infelizmente, também é palco de acidentes', disse Nelson Germano dos Santos, aposentado (Marcos Michelin/EM/D.A Press)
"É o principal acesso de muita gente ao Norte capixaba e ao Sul baiano. Infelizmente, também é palco de acidentes", disse Nelson Germano dos Santos, aposentado
Por sua vez, o trecho que vai do lugarejo de São Vítor a Mantena foi delegado pelo governo federal ao estado, em dezembro de 2002, por meio da Medida Provisória 82, assinada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso em concordância com o então governador Itamar Franco. Em razão disso, essa parte da estrada é chamada de MGT-381. Para Nelson dos Santos, o aposentado que perdeu um tio e amigos na via, pouco importa a denominação da estrada. Num dos bancos em frente à matriz de Divino das Laranjeiras, onde mora, ele sonha com o dia em que prestigiará a cerimônia de duplicação da via.

“É uma estrada importante para quem mora no Vale do Rio Doce. É o principal acesso de muita gente ao Norte capixaba e ao Sul baiano. Infelizmente, também é palco de acidentes. Atrás daquele morro, logo na descida, vá lá e veja você mesmo, há uma cruz de madeira. Foi o local em que Manoel, o da barbearia, faleceu. Ele estava numa bicicleta e foi atingido em cheio por um carro. O amigo, que Deus o tenha, não resistiu ao impacto”, recorda Nelson.

Cruzes sinalizam série de desastres

Há outras cruzes ao longo da estrada. Uma delas está no km 20, perto de São João do Manteninha, uma pequena cidade no sopé da montanha. A cruz de ferro foi fincada às margens da estrada em memória a duas mulheres. Quem conta é o caseiro João Armiro: “Eram mãe e filha. A moto em que estavam derrapou na pista, há uns oito meses, jogando-as no asfalto. Não resistiram aos ferimentos. Cheguei a ver os corpos. Cena horrível. Na semana passada, foi a vez de um motoqueiro. Passou direto na mesma curva. O veículo deslizou e bateu, bem aqui, no pé da cruz, quase a arrancando. Neste ponto é difícil passar um mês sem acidente.”

A macabra curva do km 20 é uma das mais críticas da estrada. Seu ângulo acentuado é agravado pela geografia do lugar: o traçado está numa descida íngreme. Há quem diga que os acidentes só ocorrem no local devido à imprudência de motoristas que pisam fundo no acelerador. Por outro lado, é bom lembrar que a curva é um prato cheio para colisões frontais. Em outras palavras, mesmo que um condutor desrespeite o limite de velocidade no trecho, há o risco de ele invadir a pista contrária, atingindo motoristas e passageiros inocentes, que trafegam na direção oposta.

A duplicação, conclui João Armiro, evitaria esse tipo de desastre: “Há muitos acidentes no trecho”. Procurada, a Polícia Militar Rodoviária (PMR), responsável pela vigilância no trecho, não informou a estatística de tragédias, mortos e feridos na parte esquecida da 381.

Placas danificadas ou encobertas e falta de acostamento contribuem para desorientar condutores em todo o percurso em Minas  (Marcos Michelin/EM/D.A Press)
Placas danificadas ou encobertas e falta de acostamento contribuem para desorientar condutores em todo o percurso em Minas
Placas encobertas ou jogadas ao chão
Ao mesmo tempo em que se encantam com a vegetação exuberante, com as montanhas rochosas, nas proximidades da divisa com o Espírito Santo, e com o carisma de moradores do Vale do Rio Doce, motoristas e passageiros que percorrem os 125 quilômetros entre Governador Valadares e Mantena precisam dobrar a atenção com as armadilhas do trecho. O antigo traçado, bastante sinuoso, e as pistas simples sem barreira física entre as direções opostas são os maiores perigos da rodovia, mas o trecho reserva outras ciladas, como placas cobertas pelo mato, buracos e ausência de acostamento.

O Estado de Minas percorreu o trecho e constatou muitos problemas no local, por onde trafegam, segundo o poder público, até 2 mil veículos por dia. Tanto o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) quanto o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) investem em serviços de manutenção da estrada, como operações tapa-buracos e roçadas no mato às margens do asfalto. No trecho comum com a BR-259, por exemplo, o diretor do órgão federal no Leste de Minas Gerais, Ricardo Freitas, lembra que a pista recebeu nova camada de asfalto há pouco tempo.

Já o diretor do DER na região, Geraldo Falsi, acrescenta que o órgão já iniciou obras de recapeamento do asfalto. No trecho entre Mantena e a divisa com o Espírito Santo, o departamento liberou cerca de R$ 2 milhões para dar novo visual à pista. A Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop), que trabalha em parceria com o DER, informou que a roçada já está concluída em cerca de 80 quilômetros e que as intervenções em drenagem, medidas para reduzir a possibilidade de aquaplanagem, serão iniciadas em breve.

Mas quem passa pela região precisa dobrar a atenção. Ao longo da viagem entre Governador Valdares e Mantena, marcas de pneus no asfalto mostram que muitos motoristas tiveram problemas no trecho. Talvez alguns pudessem ser evitados se placas de sinalização não fossem cobertas pela vegetação. A sinalização também é deficiente no asfalto: há pontos em que as importantes faixas contínuas ou pontilhas estão apagadas, como ocorre no km 29, perto de São João do Manteninha.

Os problemas, porém, começam logo no primeiro quilômetro, na divisa de Minas com o Espírito Santo, onde alguns buracos na pista exigem cuidado dos condutores. Dez quilômetros adiante, em direção a Governador Valadares, o defeito é um desnível no asfalto. No km 20, uma placa adverte: “trecho com alto índice de acidentes”. Lá, é o início de uma descida íngreme. No km 25, uma curva acentuada, à direita, é outro ponto perigoso. 

No trecho entre Governador Valadares e Mantena, rodovia é usada por ruralistas, colocando motoristas em risco constante (Marcos Michelin/EM/D.A Press)
No trecho entre Governador Valadares e Mantena, rodovia é usada por ruralistas, colocando motoristas em risco constante
Animais dividem pista com veículos

Usuários da via também contribuem para armadilhas. No km 36, onde a estrada corta um pequeno povoado, uma placa que informa a existência de quebra-molas no local foi jogada ao solo. Como a lombada não é colorida, alguns condutores só a enxergam a poucos metros do obstáculo. Três quilômetros adiante, há outro desnível na pista. No km 57, a atenção é para mais uma curva fechada. No km 66, costelas no asfalto.

Dois quilômetros adiante, mais uma descida íngreme. Já no km 73, uma porção de terra se deslocou do barranco e invadiu um pedaço do asfalto. No km 77, perto de Central de Minas, uma placa amarela confunde os usuários. Duas mensagens sobrepostas – viaduto em obras e entrada e saída de veículos – embaralham a vista de motoristas. Outros problemas, no trecho até Governador Valadares, são a falta de acostamento. Na hipótese de um veículo estragar numa curva, o local precisa ser muito bem sinalizado.

Condutores também precisam ter atenção com a possibilidade de animais invadirem a estrada. Há várias fazendas ao longo do trecho. Em janeiro, um caminhoneiro tentou desviar de um cavalo, perdeu o controle do veículo e desceu um barranco. Houve um princípio de incêndio, que foi controlado por outro caminhoneiro. Mas o tanque da carreta se rompeu com o impacto e cerca de 150 litros de óleo vazaram. (PHL)

Fonte:Jornal Estado de Minas

Crescimento da violência impulsiona procura por arma

Dados da Polícia Federal mostram que, acuada, população tenta se proteger por conta própria


Segundo diretor de clube de tiro, maioria dos clientes alega que se sente desprotegido
Segundo diretor de clube de tiro, maioria dos clientes alega que se sente desprotegido
BERNARDO MIRANDA
Roteiros fixos de visita a clientes, saídas regulares da empresa com altas somas de dinheiro, vizinhança com significativos índices de criminalidade e o trauma deixado por três assaltos violentos nos últimos cinco anos. São esses os argumentos que levaram o empresário C.A.J., 36, a comprar duas armas, uma para ficar em casa e outra, na empresa. Ele dá vida a dados da Polícia Federal (PF), que revelam que o crescimento de registro de novas armas acompanha a alta na violência.
Em 2012, enquanto os crimes violentos tiveram alta de 11% em Minas em relação ao ano anterior, a PF autorizou a compra de 772 novas armas por pessoas físicas – mais que o dobro do registrado em 2003, antes da aprovação do estatuto, quando houve 372 autorizações. Já em 2011, quando a violência no Estado cresceu 19% em relação a 2010, foram licenciadas 1.219 novas armas em Minas, o maior índice dos últimos dez anos.
O diretor financeiro do Clube de Tiro Protect, Leandro Silveira, confirma que o crescimento do interesse do mineiro em conseguir uma arma está ligado aos índices de violência. “A busca pelo curso de tiro tem crescido uma média de 30% ao ano, e a justificativa da maioria das pessoas é a busca pela segurança pessoal”, explica.
O medo da violência também foi o que levou o representante comercial Jesus Cabral da Costa, 63, a comprar uma nova arma e tentar conseguir o porte, o que lhe daria direito de andar armado e não apenas manter o equipamento em casa. “Sempre tive porte, mas aí veio o estatuto, acabei perdendo o direito e não ‘corri atrás’. Agora, sinto novamente a necessidade de poder andar armado diante do aumento da violência”, afirma Costa. Desde a entrada em vigor do estatuto, o porte de armas só é concedido se a pessoa comprovar que está sob ameaça.
Em vista desse cenário, o Coordenador do Núcleo de Estudos Sociopolíticos da PUC Minas, Robson Sávio, considera o Estatuto do Desarmamento ineficaz. Para ele, a retirada das armas de circulação deveria ter sido acompanhada da garantia de segurança, fazendo com que os moradores não sentissem necessidade de se proteger por conta própria. “Não há desarmamento sem redução dos índices de criminalidade. Enquanto não houver resposta do Estado, o cidadão vai continuar achando que ter arma vai lhe dar mais segurança”, avalia.
A PF não se pronunciou.
Fonte: Jornal O Tempo

sábado, junho 1

Parabéns 110 pelos 20 anos na PMMG


Aneel autoriza repasse de recursos para garantir descontos nas tarifas de energia

Brasília – A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou hoje (31) que já autorizou o repasse antecipado dos recursos da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) para as distribuidoras de energia, para compensar a redução no preço das tarifas anunciada pelo governo. A antecipação foi anunciada na última quarta-feira e foi necessária porque a Medida Provisória (MP) 605, que permite o uso dos recursos da CDE para cobrir os descontos na conta de luz, vence na próxima segunda-feira (3) e não será aprovada a tempo pelo Senado.
O governo incluiu o conteúdo da MP 605 em outra medida provisória, mas a autorização do uso da CDE só vai valer quando a nova matéria for sancionada, porque entrou como uma emenda. Por isso, foi necessário editar um decreto para permitir o uso dos recursos da CDE durante esse período e garantir que a redução das tarifas prometida pelo governo no início do ano continuasse valendo.
O decreto, publicado em edição extraordinária na última quarta-feira (29), determina que a Aneel deverá autorizar o repasse antecipado de sete meses dos recursos da CDE às distribuidoras. Segundo o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, isso deve representar um adiantamento de R$ 2,8 bilhões.
O despacho publicado hoje pela Aneel diz que os valores antecipados são referentes ao período de maio a novembro e servem para a cobertura dos descontos incidentes sobre as tarifas aplicáveis aos usuários do serviço público de distribuição de energia elétrica e a redução equilibrada das tarifas. Ao anunciar as medidas, o ministro Lobão disse que o desconto nas tarifas não será revertido e garantiu que este é um “compromisso inarredável do governo”.
Fonte: Agencia Brasil

MEC vai alterar item de questionário do Enem considerado inadequado

Brasília – O Ministério da Educação (MEC) vai alterar o questionário socioeconômico do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), por considerar inadequada a forma como se perguntou aos candidatos se eles têm em casa a prestação de serviço de trabalhadora doméstica. Um dos itens do questionário traz a pergunta “Você tem em sua residência?” e, em meio a itens como telefone fixo, geladeira, aspirador de pó, internet e TV em cores, está “empregada mensalista”.
Em nota, o MEC registra que o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, “considera que a forma da pergunta que se refere a trabalhadores domésticos é inadequada, e vai encaminhar a necessidade de sua adequação, preservando os critérios técnicos, mas garantindo integralmente o respeito àqueles trabalhadores”.
O questionário socioeconômico do Enem tem o objetivo de identificar fatores para entender e explicar o desempenho do participante. O ministério explica que as questões são baseadas no Critério de Classificação Econômica Brasil, organizado pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa, com o objetivo de mensurar as classes  sociais dos participantes. O modelo utilizado na inscrição do Enem segue esse padrão, segundo o texto.

 Fonte: Agencia Brasil

Presídios abertos neste ano em SP já estão superlotados

Das 12 mais novas penitenciárias paulistas, dez já estão superlotadas. Entre elas, estão duas abertas há menos de quatro meses, em Cerqueira César, a 291 km de São Paulo.
As únicas penitenciárias novas --inauguradas desde 2010-- que ainda comportam detentos estão perto de atingir sua capacidade máxima. Ficam em Capela do Alto (a 136 km da capital) e foram abertas em março.

Os dados constam de um levantamento feito pela Folha no banco de dados da Secretaria Estadual da Administração Penitenciária.

A pesquisa mostra que São Paulo tem quase dois presos por vaga. São 205 mil detentos onde caberiam 105 mil. por 100 mil habitantes. No país, a taxa é de 287.


Especialistas apontam ao menos três motivos. O primeiro é o aumento das prisões; depois, vem a pequena quantidade de ordens judiciais para o cumprimento de medidas alternativas.
Por último, a falta de estrutura para que presos façam a progressão de regime --do fechado para o semiaberto, por exemplo.

"O sistema é um caos e isso é culpa de todo mundo, do Legislativo, do Executivo e do Judiciário", diz o criminalista e professor de direito Roberto Soares Garcia.
Para ele, a distorção começa por um sistema penal que admite prisões desnecessárias antes do fim dos processos. "Eles [juízes] não enxergam a condição desumana das prisões", afirmou.

Quem trabalha nas unidades reclama da superlotação. "É duro controlar uma turba [multidão]. Em muitas prisões, quem manda é o preso", disse um agente penitenciário.
Para o assessor jurídico da Pastoral Carcerária, José de Jesus Filho, os governos federal e estadual nunca deram prioridade à reabilitação de presos. "O foco sempre foi a construção de prisões."

Em 36 presídios a superlotação é pior do que a que havia no Carandiru. Com implosão iniciada em 2002, o famoso presídio brasileiro chegou a ter 8.000 detentos em 3.500 vagas -2,3 presos por vaga.

Hoje, os presídios que mais preocupam são os CDPs (Centros de Detenção Provisória) 4 de Pinheiros, com 3,6 detentos/vaga, e de Santo André, com 3,5.
"A situação nesses locais é deplorável", disse Jesus Filho.

O complexo formado pelos quatro CDPs de Pinheiros tem sido chamado de "novo Carandiru". Nele, estão detentos vinculados à facção criminosa PCC, estupradores e rejeitados por outros criminosos.

Fonte: Folha de São Paulo

Senado deve promulgar emenda que cria TRF-MG

Presidente do Congresso se recusa a promulgar emenda que cria os tribunais, mas afirma que nada pode fazer para impedir que vice tome decisão durante sua viagem na semana que vem

O polêmico Tribunal Regional Federal (TRF) de Minas Gerais poderá ser criado essa semana. A decisão caberá ao vice-presidente do Congresso Nacional, senador André Vargas (PT-PR), que assume o comando da Casa na quarta-feira durante viagem do presidente do Legislativo, Renan Calheiros (PMDB-AL), a Portugal, entre 5 e 11 deste mês. O peemedebista, alegando problemas técnicos, se recusou a promulgar a emenda constitucional que autoriza a criação do tribunal no estado. O senador já deixou claro que não deixará de embarcar para evitar uma possível decisão do colega em favor do novo TRF. A proposta cria tribunais também no Paraná, Bahia e Amazonas. Pela legislação, cabe ao presidente do Congresso a promulgação do texto.

Na quarta-feira passada, um ato público em defesa da criação do TRF de Minas reuniu representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do estado no Salão Nobre da Assembleia Legislativa. Na quinta-feira anterior ao encontro, deputados e senadores da frente parlamentar que defende a criação dos quatro TRFs estiveram com Renan pediram a promulgação da PEC e apresentaram decisões judiciais sobre a constitucionalidade da criação dos novos tribunais.

O TRF de Minas Gerais é uma antiga reivindicação de magistrados e advogados, em razão do acúmulo de processos em tramitação no TRF1, sediado em Brasília, responsável também pelas ações do Distrito Federal e outros 11 estados. Hoje, 30% dos juízes e varas da Justiça Federal – correspondente à primeira instância – estão localizados em Minas, de onde partem 52% dos recursos que chegam à capital federal. A chamada taxa de congestionamento de processos chega a 87,2%. Há processos parados há mais de uma década.

Atualmente existem cinco TRFs no país com sede em São Paulo, Porto Alegre, Recife, Brasília e Rio de Janeiro. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, é contra a criação de outros tribunais. Para o magistrado, a PEC passou pelo Congresso de forma “sorrateira”. Dias depois da aprovação da proposta, Barbosa se reuniu com presidentes dos TRFs. Do encontro partiu a decisão de buscar alternativas para dar celeridade aos processos, sem a necessidade dos novos tribunais. O presidente do STF argumenta que a ampliação desse número trará altos custos para a máquina pública e não reduziria significamente o tempo de tramitação dos processos.

Ao todo, 85% dos processos em tramitação na Justiça Federal dizem respeito a questões previdenciárias. Uma das ideias apresentadas no encontro é que as decisões de juízes de primeiro grau sejam encaminhadas a turmas recursais, composta por três magistrados, e não aos tribunais, o que implicaria na redução dos estoques de processos.

A decisão do presidente do Senado de não assinar a emenda, ocorrida em abril, teria sido um agrado a Joaquim Barbosa, no momento em que congressistas e ministros do STF ainda saíam da crise surgida com a aprovação, pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, de emenda constitucional que submetia decisões da Corte à aprovação do Congresso Nacional. A viagem de Renan a Portugal tem caráter oficial. A agenda do peemedebista no país inclui visita ao Parlamento lusitano e encontros com o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho.

Fonte: Jornal Estado de Minas

Traficantes morrem em frente a boca de fumo em Coronel fabriciano


Coronel Fabriciano- Os militares depararam com a vítima Bruno Henrique dos Santos caída ao solo na posição decúbito frontal já sem vida, que foi constatado por uma unidade do SAMU, junto com Bruno também estava outra vitima de disparo de arma de fogo o Ronaldo Junio Soares dos Santos, que foi socorrido por uma  Viatura Policial  ao Hospital São Camilo onde foi atendido pelo medico de plantão, com tudo não resistiu aos ferimentos, vindo a falecer com duas perfurações na cabeça e uma no dorso direito, já bruno teve uma perfuração no braço direito e outra no dorso lado direito constatado pelo perito Batista que realizou os trabalhos de praxe liberando o corpo para o IML de Ipatinga. Segundo Informações  os disparos foram efetuados por dois indivíduos em uma bicicleta trajando blusa escura que evadiram após os disparos. Antes do ocorrido houve uma briga generalizada envolvendo vários indivíduos. Os militares informaram que as vitimas são usuárias de drogas e o local onde ocorreu o homicídio é ponto de venda de entorpecentes.  Os fatos ocorreram na Av Rubens Siqueira Maia, 642, Santa Terezinha. As vitimas são conhecidas por Bruno Rodrigo dos Santos e  Ronaldo Junio Soares dos Santos, ambos de 18 anos.

sexta-feira, maio 31

Sargento da PM que impediu operação da Receita Federal pode ser preso e expulso


O caso aconteceu no Triângulo Mineiro, quando o policial militar barrou na BR-497 uma equipe de policiais rodoviários federais e fiscais da Receita que estavam em serviço, se preparando para Operação Conexão IV - de combate ao contrabando.

Um policial militar que atrapalhou uma operação da Receita Federal poderá ser preso e expulso da corporação. O Ministério Público Federal (MPF) em Uberaba denunciou o sargento pelos crimes de abuso de autoridade, constrangimento ilegal, cárcere privado e prevaricação. Segundo a denúncia, no dia 26 de junho de 2010, o militar abordou uma equipe da Polícia Rodoviária Federal (PRF) que estava a serviço na BR-497, entre as cidades de Iturama/MG e Campina Verde/MG, no Triângulo Mineiro, pedindo que eles se identificassem e esclarecessem a presença no local. Para o MPF, as atitudes do militar mostraram abuso de poder.

De acordo com o processo, os policiais rodoviários mostraram os distintivos e identificações funcionais e explicaram que estavam acompanhando auditores fiscais e analistas da Receita Federal numa operação sigilosa de fiscalização. A Operação Conexão IV tinha como objetivo reprimir o contrabando de cigarros e outras mercadorias vindas do Paraguai.

O PM não se deu por satisfeito e, julgando insuficientes as informações prestadas pelas autoridades federais, reteve os documentos e determinou que os agentes da PRF e servidores da Receita se encaminhassem ao quartel da PM em Iturama. Um dos policiais rodoviários federais chegou a dizer que acompanharia o sargento ao quartel, mas a outra viatura daria continuidade ao trabalho dos auditores fiscais. O PM não aceitou e determinou a ida, sob escolta, das duas viaturas da PRF ao quartel da PM. Lá chegando, fechou os portões e não permitiu a entrada, nem a saída do local de qualquer dos agentes federais.

Conforme o processo, o militar solicitou a identificação de todos os integrantes da operação, bem como a de seus superiores. Um dos auditores fiscais alegou que não poderia fornecer todas as informações, porque o trabalho era sigiloso e foi ameaçado pelo sargento de prisão por crime de desobediência.

No quartel, os agentes da PRF e os fiscais ficaram retidos das 19h30 até cerca de 22h. A situação só teve fim com a chegada ao local de dois superiores do sargento PM, que deram um jeito de dizer “tudo não passou de um mal entendido”.

Entendimento do MPF


Para o MPF, a conduta do denunciado passou de fiscalização uma rotineira para o abuso de autoridade, na medida em que interferiu no exercício profissional federais. Para a promotoria, o PM ignorou a autonomia existente entre os órgãos envolvidos no caso, agindo de forma imotivada e gratuita.

O abuso de autoridade acabou também impedindo a realização da própria operação sigilosa. Para a promotoria, o objetivo de apreender mercadorias contrabandeadas foi frustrando, o que teria resultado em ato lesivo ao patrimônio da União.

O MPF ainda denunciou o militar por prevaricação -  ao reter os servidores federais e os veículos estatais com tratamento desrespeitoso, ele teria usado recursos humanos e logísticos do estado de Minas Gerais para satisfazer interesse pessoal.

Punição


O abuso de autoridade sujeita o autor a sanções administrativas, cíveis e penais. A sanção administrativa deve ser aplicada de acordo com a gravidade do abuso cometido e pode resultar em advertência, repreensão e até demissão do cargo.

A sanção civil, caso não seja possível fixar o valor do dano resultante dos atos praticados pelo denunciado, consistirá no pagamento de uma indenização, cujo valor será fixado pelo juiz. A pena para o crime, por sua vez, pode resultar na detenção por 10 dias até seis meses. Os crimes de constrangimento ilegal e de prevaricação prevêem detenção, cada um, de 3 meses a um ano; o de cárcere privado, 1 a 3 anos.

Além da ação criminal, o PM também irá responder por improbidade administrativa. O MPF pediu que, caso condenado, a Justiça determine afastamento de suas funções pelo prazo de 90 dias, sem recebimento da correspondente remuneração. Pediu ainda pagamento de multa e proibição de contratar com o poder público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios.  
Fonte: Portal UAI 

Lei da mordaça: Projeto do governo de MG que punir policiais civis

O Governo de Minas tenta a aprovação de um projeto de lei na Assembleia Legislativa que cria uma verdadeira "Lei da Mordaça" no estado. Esse é o nome mais adequado para a matéria encaminhada pelo Palácio da Liberdade à ALMG.

O projeto versa sobre punição a policiais civis que passem dados e documentos oficiais para a imprensa. Além disso, a transferência de um delegado já é vista como um "castigo", antes mesmo do projeto ser aprovado. 
Fonte: Jornal da Alterosa

Tentativa de invasão a depósito de armas do Exército acaba em tiroteio


A ação teve início por volta das 19h e perdurou até a madrugada. Segundo policiais que estavam na área, nenhuma A ação teve início por volta das 19h e perdurou até a madrugada. Segundo policiais que estavam na área, nenhuma arma foi roubada e ninguém saiu feridoarma foi roubada e ninguém saiu ferido.

Um grupo armado tentou invadir o Depósito de Suprimento de Armas da 10º Região Militar do Exército de Maranguape, Região Metropolitana de Fortaleza, na localidade de Penedo, distante 15 km do centro do município, na noite da última quinta-feira, 30. Segundo policiais que estavam na área, nenhuma arma foi roubada e ninguém saiu ferido.

De acordo com o operador da 2ª Compahia de Polícia, cabo Flávio, a ação teve início por volta das 19h, quando ocorreu a primeira tentativa de invasão. A Polícia Foi acionada e foi recebida a tiros pelos bandidos. A segunda tentativa ocorreu por volta das 2h, novamente houve troca de tiros entre os criminosos e a Polícia. Um policial foi atingido por pedradas.

Equipes da Força Tática de Apoio (FTA) da Polícia Militar e Ronda do Quarteirão de Maranguape atuaram na ocorrência. Equipes do Cotam e GATE de Fortaleza fizeram o reforço da ação.
Segundo os policiais, há indícios de que os bandidos estariam utilizando armamento pesado, pois foram encontradas munições de calibre 12 no local. 

CAUSAS DO CRIME
A Polícia Militar acredita que existem duas hipóteses que justificam a invasão. A primeira diz respeito ao roubo de armas e a segunda é que o crime possa ter relação com o tráfico de drogas na região, já que as proximidades do quartel são utilzadas para o comércio de entorpecentes. Ainda de acordo com a Polícia, recentemente, o comandante da 10º Região da Polícia Militar solicitou o cadastro obrigatório das pessoas que circulassem na área. Os bandidos teriam tido a passagem proibida e teriam reagido contra os policiais.

Os suspeitos fugiram pelos matagais ao redos da área e até o momento não foram localizados pelos policiais. Ainda de acordo com o cabo Flávio, uma Hilux de cor prata e dois homens suspeitos foram vistos saindo do local. Diligências estão sendo realizadas para encontrar os responsáveis pela invasão.

Fonte: O Povo online