Suspeito foi encontrado dentro de uma mata após ser cercado pela polícia
A Polícia Militar (PM) do Mato Grosso prendeu na manhã desta segunda-feira (10) o enfermeiro Evanderly de Oliveira Lima suspeito de matar a ex-mulher, a juíza Glauciane Chaves de Melo, de 42 anos, dentro do Fórum de Alto Taquari, a 479 km de Cuiabá. O crime foi na sexta-feira (7).
De acordo com informações do Tribunal de Justiça do Mato Grosso (TJMT), o suspeito foi encontrado dentro de uma mata após ser cercado pela polícia. Ele estava deitado e camuflado com folhas secas e não reagiu à prisão. Evanderly foi levado para a Delegacia de Alto Taquari, onde será interrogado pelo delegado João Ferreira Borges, responsável pelo inquérito. Em seguida, será levado para uma unidade prisional do Estado.
O coordenador militar do TJMT, coronel Wilson Batista, atribuiu a demora da prisão ao bom condicionamento físico do enfermeiro. Segundo o coronel, ele serviu no Corpo de Bombeiro de Minas Gerais e fez cursos de busca, salvamento e resgate e, portanto, conhecia as técnicas de se esconder em locais de difícil acesso.
O presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Orlando Perri, agradeceu ao empenho dos órgãos de Segurança Pública no trabalho de localização e prisão do acusado. Destacou que o Judiciário não permitirá qualquer tipo de atentando contra magistrados e reagirá duramente.
Quanto à segurança dos fóruns do interior, o presidente afirmou que o caso do homicídio da juíza não ocorreu por qualquer tipo de falha. Destaca que o acusado era ex-marido da juíza e tinha livre acesso a ela, com quem mantinha uma relação próxima.
A arma utilizada por Evanderly foi localizada. O revólver calibre 38 foi encontrado no gramado do Fórum, provavelmente jogado pelo autor no momento da fuga. Glauciane foi atingida por dois disparos e morreu na hora. O corpo foi enterrado nesse domingo (8) no Cemitério Parque Renascer, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte.
Buscas
Desde a última sexta-feira, toda a região foi cercada para evitar que o acusado deixasse a cidade. Policiais civis e militares de toda a região foram deslocados para o município de Alto Taquari para auxiliar nas buscas, que contou com o apoio da Força Tática.
O Tribunal de Justiça do Mato Grosso (TJMT) decretou a prisão preventiva de Evanderly de OIiveira Lima no sábado (8). O decreto partiu do juiz Pedro Davi Benetti que, após a tragédia, responde pela comarca.
Moradores da pequena cidade, de 8 mil habitantes, ainda estão chocados com o crime. O presidente da Associação Mato-grossense de Magistrados (Amam), desembargador Carlos Alberto Alves da Rocha, designou o juiz José Arimatéa Neves Costa, da Comissão de Prerrogativas, para acompanhar o caso.
O assassinato da juíza provocou grande tristeza em todo o Judiciário Estadual. Em nota publicada no site do Tribunal de Justiça do Mato Grosso, a Corregedoria-Geral da Justiça lamentou a morte da juíza. O corregedor, desembargador Sebastião de Moraes Filho, prestou solidariedade aos familiares da magistrada. O presidente do Tribunal, Orlando Perri, também manifesta profundo pesar pelo falecimento de Glauciane Chaves de Melo.
O presidente do Tribunal decretou luto oficial de três dias. Na comarca de Alto Taquari, onde a magistrada atuava, também foram suspensos o expediente e os prazos processuais. Neste segunda-feira, os prazos voltaram a correr normalmente.
A magistrada era mineira de Conselheiro Lafaiete, na região Central do Estado e já foi servidora do Fórum Lafayette, em Belo Horizonte. Glauciane tomou posse no Mato Grosso em 15 de junho na comarca de Alto Taquari. Ela concluiu o curso de Direito em1998, pela Faculdade de Direito Milton Campos, na cidade de Nova Lima. Depois de formada atuou em seu próprio escritório de advocacia, como assessora de juiz de direito e em seguida como assessora de desembargadora. Antes de se formar, atuou como professora primaria e professora de Língua Portuguesa.
Fonte Jornal O Tempo
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